REFLEXÕES RADICAIS

julho 24, 2009

A Foto

Arquivado em: Internacional — Claudio Mafra @ 2:35 pm
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Essa foto diz tudo. Chavez tem o atrevimento de presentear Obama com a bíblia do perfeito idiota latino-americano – As Veias Abertas da América Latina – do uruguaio Eduardo Galeano. Trata-se de um livro primariamente anti-americano, agressivo, e o presente está perto de uma ofensa.  Observem que Chavez segura com firmeza a mão de Obama e o obriga a apontar para o livro. A cara do ditador é de completa felicidade por estar fazendo o gringo  de bobo. Imagine-se a comitiva venezuelana  às gargalhadas com a esperteza de seu chefe . Impossível Chavez ter a coragem de tentar uma gracinha dessas com Bush. Não conseguiria chegar perto dele. Certa vez, Millôr Fernandes disse que as aparências são tudo. A foto reveladora mostra um Chavez que sabe o que quer, e um Obama perdido, sem entender o que está acontecendo e,  pior, querendo agradar.

E a imprensa erra quando diz que “Hillary endurece com Iran e Coreia do Norte” É exatamente o oposto. O invés de continuar recusando a hipótese de um Iran nuclear, os Estados Unidos, pela primeira vez ,se pronunciam admitindo a bomba. A  Chefe do Departamento de Estado disse que “a resposta dos EUA ao Iran com armas nucleares será a criação de uma barreira de defesa na região, armando os vizinhos do país” Mas, isso é tudo que o Iran quer na vida ! Que seja abandonada a opção de bombardear suas usinas. Afinal, na política externa, a nova administração americana vai deixando  de lado alguns postulados de Bush  e encontrando seu próprio caminho, o caminho American liberal. Primeiro os discursos de Obama pela Europa, e pelo mundo árabe, pedindo desculpas pelos Estados Unidos existirem. Depois, em Honduras, um verdadeiro desastre ao fazer a opção errada, a opção Zelaya, e agora, quanto ao Iran, essa extraordinária mudança de posição.  Israel reagiu, e Hillary, que sempre tem um comportamento dúbio, e pouco se importa com suas verdades ou mentiras,   procurou se esquivar, mas  não existe volta em um pronunciamento desse tipo. Para o Iran é dia de festa.

O  vice-primeiro ministro israelense, Dan Meridor, lamentou que os USA “já tivessem aceitado essa realidade”, a bomba atômica iraniana.  Parece que nessa questão  Israel corre o perigo de  ficar por sua própria conta e risco, e sabe-se que a irritante posição israelense é aquela de que não aceita desaparecer do mapa. Se depender dos Estados Unidos vai ter que confiar na “rede de proteção” que ainda vai ser construida, o que é de fazer qualquer israelense suar frio. E o chanceler Lieberman, conversando com Lula,  pediu a intermediação brasileira na questão iraniana, como se ele não soubesse que o Brasil nem imagina por onde começar , não tem a menor experiência de Oriente Médio, está inteiramente incapacitado para uma ação de tanta envergadura. O máximo que nosso chanceler e  o presidente podem fazer , na visita de Ahmadinejad, é chama-lo para tomar umas biritas amigas, “Ah, o senhor não bebe por motivos religiosos ?  Então sai uma fanta sabor limão aqui para o nosso amigo”  tapinhas nas costas , ” precisamos de calma, promete que não vai jogar a bomba em cima de ninguém, isso não é legal, conversando todo mundo se entende,  mas o seu país é muito interessante, lá  não tem gays, não é mesmo ? Como é que vocês conseguem ?”  Os grossos até que podem se entender , mas é provavel que a verdadeira intenção de Lieberman seja a de  espalhar pelos quatro cantos do planeta a suposta vontade de Israel em negociar, já pensando na opção do bombardeio da planta iraniana.

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Quanto á Coreia do Norte, o “endurecimento” de Hillary  ainda é a continuação da política de Bush: sanções econômicas se não houver desarmamento, e muito  dinheiro nos bolsos do Querido Lider, caso ele fique bem comportado.

CN
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julho 20, 2009

O caso Honduras: países unidos contra a lei

Arquivado em: Internacional — Claudio Mafra @ 8:17 pm
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Muito tempo atrás, um conhecido formador de opinião, emitiu um alerta para o perigo de Lula “fechar o Congresso”. Mas, de que maneira ele faria isso ? Mandando o PT e o MST com foices, pedaços de pau e megafones até os edifícios da Câmara e do Senado, gritando “fecha! fecha! fora!, fora!  ! ” ? Bem, quem “fecha” um Congresso são os soldados, os tanques.  Numa situação desse tipo seria mais provavel o Exército “fechar”o Lula. Certa vez  o rei das gafes  disse a propósito da crise do gás na Bolívia, quando Morales ameaçava cortar o fornecimento para o Brasil: ” Eu não vou fazer feito o Bush fez no Iraque, eu não vou invadir a Bolívia !” O Napoleão de Garanhuns.  Será que ele sonha que se desse essa ordem o Exército obedeceria ? E se o Nelson Jobim desse a ordem?  Chega a ser hilariante pensar nessa hipótese.  Os chefes militares ficariam atônitos com a ignorância e audácia dos civís. Consultariam o Congresso, o Supremo, fariam muita coisa antes de sequer pensar em embarcar nessa aventura.

O Lula andou se confundindo com o Geisel . Esse sim, justificando ser contra a construção do gasoduto disse com toda a propriedade : ” E se eles ( os bolivianos) fecharem a torneira, eu vou ter que mandar a tropa ?”.

A questão de um exército interferir nas relações de poder dentro de um país voltou de forma dramática ao cenário da A. Latina. Quando Manuel Zelaya convocou o plebiscito para tentar o segundo mandato, o que poderiam fazer o Congresso, a Suprema Corte Hondurenha, enfim, os poderes constituídos? Após declararem o ato do governo como totalmente inconstitucional, uma afronta direta a uma cláusula pétrea,  a quem deveriam se dirigir os congressistas e  juízes ? Ir até o palácio tomar limonada com o presidente e pedir que voltasse atrás em seu desprezo pela lei ? Provavelmente, como Honduras não é a Prússia, vamos imaginar que isso tenha sido feito. Devem ter tentado tudo, porque Zelaya é perigoso, é demagogo, é populista.  Depois que não deu certo, fizeram o que precisavam, o que  a lei mandava. Recorreram ao que existe para situações como essa. Recorreram ao Exército, que é o guardião armado da Constituição.  Cumprindo o seu dever ,os militares passaram a mão no cínico candidato a ser o Chavez de Honduras e o enfiaram de pijamas em um avião para Costa Rica. Poderiam te-lo encarcerado também, esperando um julgamento por traição, mas possivelmente a melhor saída foi essa.  O exército hondurenho cobriu-se de honra. Deu uma sacudida em todo o continente latino-americano, mostrando que os militares ainda podem garantir uma democracia, ao contrário, por exemplo, dos companheiros de Chavez, o exército venezuelano.

O que  aconteceu  para o mundo estar contra Honduras ? A principal razão foi a condenação feita por Obama, classificando o ato de golpe militar. Atuou como um homem de esquerda, o que foi coerente com seu passado – o mais esquerdista de todos os senadores americanos. Mostrou-se mal informado, confuso, relativista (as coisas nunca são certo, ou errado, para os liberais americanos) e passou a exigir de Honduras o absurdo, o completo non-sense: a volta do criminoso. Sem o mínimo de bom senso, decidiu que os militares hondurenhos haviam feito o que seus antecessores gostavam de fazer, derrubar presidentes. Não examinou em profundidade a situação e as consequências funestas da intervenção americana. Apegou-se a um clichê e achou que estava dando um recado de democracia para o mundo. São necessárias décadas de pensamento American liberal para que um presidente dos Estados Unidos chegue a esse ponto de relativismo, de “sofisticação”. Trocar o certo pelo errado para não “provocar” o inimigo, ou ,para não dar motivo de críticas por parte do inimigo. Achou que  estaria fortalecendo Chavez ao concordar com os militares hondurenhos. É  miopia, e é covardia. E Vargas Llosa, em artigo recente, também não gostou dos militares haverem colocado as mãos no presidente deposto; “Despertar um presidente constitucionalmente eleito à força de baionetas, e envia-lo para o exílio sem lhe dar tempo para tirar o pijama, como os militares hondurenhos fizeram com Manuel Zelaya é um ato de barbárie política”.  O grande escritor mostrou seu enorme talento, conseguindo em uma única frase colocar todos os lugares comuns e vulgaridades melodramáticas de uma manchete de jornal escandaloso. “Despertar” ….  “à força de baionetas”…. “ato de barbárie política”,  puxa, mas que gênio! Melhor seria ter enxergado o velho humor latino-americano de haverem prendido o candidato a ditador, de pijamas,  soca-lo  em um avião,  e  BOA VIAGEM!  Llosa queria um comportamento de Suécia, se por acaso fosse possivel algo semelhante naquele país. Estamos na A. Latina, e mesmo quando acertamos, fazemos as coisas de uma forma um tanto primitiva. Ele deveria é ter dado graças a Deus por ter sido removido o perigo de outro caudilho chavista em nosso continente. Mas, de jeito nenhum, porque, para ser contra Chavez, é necessário também ser contra os militares hondurenhos, da mesma forma que, em qualquer circunstância, para se criticar Obama é necessário um salvo-conduto , criticando-se Bush primeiro.

Felizmente o Congresso, a Suprema Corte e o Exército hondurenhos estão demonstrando grande coragem, enfrentando sozinhos o Brasil, os Estados Unidos, a Venezuela, o Equador, Bolívia a Argentina, a Nicarágua, e a Eurábia, (Europa). Sem essa determinação, sem essa surpreendente força moral tudo estaria perdido. Teríamos um novo Chavez, por causa do bom mocismo do presidente americano. Ah, e vemos o Lula, dando entrevista ridícula, onde pretendeu definir o papel dos militares no continente. No fundo, sabe que tem culpa no cartório por causa do MST e outras bandidagens,  e ainda deve guardar um pouquinho, só um pouquinho, de medo do nosso PRÓPRIO exército. E, para variar, os esquerdizoides do Itamaraty, fazem um apelo desavergonhado aos Estados Unidos  para que pressionem o substituto de Zelaya, o atual presidente temporário, Roberto Micheletti. Vai o ministro Amorim, o escovinha (sempre ele!), e liga para a Hillary Clinton: “Pois é, dona Hillary,  é preciso encontrar, com rapidez, uma solução que permita que a resolução  da Organização dos Estados Americanos seja cumprida por Honduras , com a volta de Zelaya à presidência. Contamos com a senhora, dona Hillary !”  E o embaixador brasileiro na OEA, Ruy Casaes, cumprimentou Zelaya por dar “mostras de consciência democrática”.  E nós pagamos o salário dessa turma !

E bota pressão com Chavez ameaçando,  e o ex-guerrilheiro de lentes de contato , Daniel Ortega,  falando em tropas na fronteira, e de uma hora para outra pode até ocorrer uma batalha real no pequeno país. Dá até pena ler a declaração de Michelleti: “Não queremos ficar como os venezuelanos, os equatorianos, e os bolivianos. Queremos um país livre e democrático.” Nem o pateta Jimmy Carter conseguiria fazer uma bobagem tão grande: armar as condições para que Zelaya possa começar – com o apoio armado de Chavez- uma guerrilha em Honduras.

Quando o general Lott deu o contra-golpe em 1955 – depondo o presidente Carlos Luz  – e assim garantindo a legalidade e a posse de Juscelino, a situação era muito mais complexa. Os conspiradores ainda não haviam infringido a constituição brasileira. Imagine se fosse Obama o presidente.  Correríamos o risco de ver estabelecida a tese da maioria absoluta, pregada pelos golpistas,  e Juscelino não ser empossado. A confusão estaria armada.

Podem todos ficar tranquilos. Depois dessa, Lula arquivou definitivamente qualquer sonho de um terceiro mandato.  Será que ele dorme de bermudas ou de pijamas ?

julho 8, 2009

Os uigures e eu

Arquivado em: Internacional — Claudio Mafra @ 4:09 pm
uigures

Em minha primeira matéria para o Estadão, quando fui morar na China, coloquei uma frase onde dizia que os uigures eram um problema para o governo chinês. O embaixador brasileiro mandou me chamar e declarou que eu ia ser expulso do país. Mas, nem havia aberto as malas e já estavam me despachando? Não satisfeito com o meu choque, ele continuou seu discurso em voz altíssima, dizendo que gostava muito da China, que adorava morar na China, mas que lugar maravilhoso. Até hoje não sei se falava só para mim, o que seria bizarro, ou se falava também para as paredes, para possíveis microfones ocultos (não estou brincando), já que ficava de costas, de lado, a cabeça erguida, olhando para cima. A cena era inusitada. Ele estava educadamente furioso porque seu nome havia saído na reportagem, justamente na parte dos uigures. Enquanto isso, muito mais calmo, fazendo uma espécie de contra-ponto, o ministro da embaixada mostrava no mapa onde moravam os malditos criadores de caso, ao mesmo tempo em que defendia o comportamento do governo chinês. Depois de uns dois dias esperando para ver se iam me mandar embora, procurei o chefe da Agência Lusa, um português com vários anos de China, e apresentei a matéria. Ele me tranquilizou, disse que já havia escrito coisas muito piores e que não ia me acontecer nada. E assim foi.

Agora os uigures estão nas manchetes porque os chinos mataram 156 deles e deixaram 828 feridos, em manifestações em Urumqi, capital da província de Xinjiang, quase toda ela muçulmana. Por causa de fatos como esse é que o embaixador me chamou. Naquela época, era proibido dizer que Xinjiang era separatista. O único termo aceito pelo governo chinês era terrorista: Os uigures não são SEPARATISTAS, mas TERRORISTAS. Com relação ao Tibet,  os tibetanos são tão pacíficos, tão mundialmente conhecidos como espiritualistas, que os chinos desistiram do termo terroristas para classificá-los, mas, no geral, o problema guarda uma pequena semelhança com o de Xinjiang.  Da mesma maneira que no Tibet, a província está sendo entupida de chineses da etnia han, o que é feito através da migração forçada.

Os uigures estão em muito países do mundo, mas os “dificeis” são os de Xinjiang. É equivocada a maneira como a imprensa tem abordado o assunto. Tratam as manifestações de protesto como se os uigures quisessem apenas maior liberdade de expressão, de culto .  É uma análise superficial e favoravel ao governo chinês. Isso é o que eles dizem na polícia quando são presos. Os uigures de Xinjiang querem é independência.

Em Guantânamo existiam terroristas iugures, membros da Al Qaeda, mas esses têm pouco a ver com a China. São aqueles delirantes que acham que o Islã deve dominar o mundo. Foram presos no Afeganistão. A sua extradição já fora pedida,  durante o governo Bush , mas os Democratas não deixaram, sabendo o que iria acontecer quando pisassem em território chinês. Agora, com o problemático propósito de desativar a prisão, que resultou no apelo americano para que outros países aceitassem receber os terroristas, a China, muito contente, renovou a sua disposição de acolhê-los, mas nada feito, os pacíficos prisioneiros não vão morrer. Afinal, por uma quantia de apenas 100 milhões de dólares, pagos pelos contribuintes americanos, 17 uigures foram para um minúsculo país no Pacífico Sul, no arquipélago de Palau, onde só existem duas hipóteses: ou vão ser corrompidos pelas ilhas paradisíacas e esquecer Maomé, ou vão matar todo mundo, e regressar ao Afeganistão, para novamente enfrentar os americanos.

Muita gente está  ansiosa para ver a China ultrapassar os Estados Unidos e se transformar na primeira potência mundial. Pode ser, mas no momento  da democratização é possivel que comecem a pipocar movimentos separatistas, e o território chinês, com 56 etnias,  vir a ser desmembrado, da mesma maneira que a parte asiática do império soviético.

julho 7, 2009

Minha viagem ao Afeganistão

Arquivado em: Internacional — Claudio Mafra @ 12:25 pm

Todos estão muito atentos porque o presidente Obama vai discursar sobre sua política externa. Começa pelo capítulo Afeganistão. Faz uma cara seríssima, quando diz que é necessário enviar  mais tropas. E vai combater o ópio, e vai combater a corrupção, e também são inadmissiveis os santuários dos talebans dentro do Paquistão. É necessário conversar com o governo paquistanês, é necessário conversar com as diversas etnias afegans, é necessário que a médio e longo prazo o Afeganistão consiga se auto-governar sem as tropas americanas dentro do seu território. O pano de fundo é sempre o “diálogo”, sua grande descoberta. Antes de Obama ninguém havia ouvido essa palavra. E ele é um orador brilhante. Faz as pausas nas horas certíssimas, sua voz é ótima, sua presença perfeita, ele inspira confiança.

Até outro dia, só fazia repetir a política externa de Bush, mas, por fim, mostrou para o que veio, e começou a fazer discursos de mea culpa pelo mundo afora. Perdeu a noção do ridículo quando bajulou os muçulmanos, cometendo o disparate de dizer que o problema de afirmação da mulher americana não estava resolvido. Uma tentativa canhestra de  alinhar as barbaridades contra as muçulmanas e, digamos, piadas sobre as louras nos Estados Unidos.  Agora chegou ao máximo quando resolveu atormentar a pobre Honduras, no mais perfeito estilo dos “americans liberals”. Ficou do lado errado, assanhou toda a esquerda mundial, e está estrangulando o país que tentou se livrar de um golpe de estado que o levaria para o chavismo. Ah, seu heroi  deve ser, sem dúvida, o patético Jimmy Carter.  Mas, durante algum tempo, no Iraque e no Afeganistão, repetiu tudo que o ex-presidente cansou de dizer. A maneira como apresenta suas “changes” é magistral.  Bush, a figura importante mais  condenada na história contemporânea desde Hitler, deve ter ficado  impressionado vendo seu sucessor dizer as mesmas coisas que ele disse e, no outro dia, receber um dilúvio de aplausos, ao invés dos editoriais furiosos do NYTimes, Los Angeles Times, Washington Post, e CNN.  Afinal, essa fase passou, e Obama está mostrando sua verdadeira face.  Não há mais motivo para confusão, ou esperanças.

Abaixo está a reportagem que fiz para o Estadão quando de minha viagem ao Afeganistão em 2006

PARA O LEITOR CONSEGUIR LER O ARTIGO EM TELA CHEIA ELE DEVE CLICAR NO ÍCONE  icone scribd DA BARRA SUPERIOR À DIREITA.

Clique aqui para visualizar outras imagens do Afeganistão

julho 5, 2009

Até que enfim!

Arquivado em: Internacional — Claudio Mafra @ 8:34 pm
El-Baradei

Até que enfim o egípcio Mohamed El Baradei vai embora. O sujeito insuportavel, um ótimo exemplo do momento de complacência, fragilidade e inação que estamos vivendo, deixa, em novembro, o cargo de Chefe da AIEA ( Agência Internacional de Energia Atômica).  Ao invés de inspecionar armas nucleares em países que apoiam o terrorismo, Baradei usou seu mandato para fazer política anti-Estados Unidos, o que lhe valeu o Premio Nobel da Paz em 2005.  Ele é uma prova de que o império americano funciona muito mal, ou não é tão império assim. Só dessa maneira é  possivel explicar que tenha ficado 12 longos anos fingindo que inspecionava, dando força ao Iran,  e usando a imprensa para se auto-promover. Dono de um cinismo agressivo, teve a coragem de declarar muito recentemente que os países contraventores ao procurarem a bomba, o fazem por “política de segurança” e não simplesmente, como todos sabemos, para se transformarem em agressores em potencial. Israel, que há muito tempo vinha pedindo sua substituição, deve estar abrindo champagne. Condolezza Rice que exigiu maior compostura de sua parte também deve ter ficado satisfeita.

Seu sucessor vai ser o japonês Yukya Amano, que afirmou não ver “nenhum indício nos documentos da agência” de que o programa nuclear iraniano tenha fins militares.  O que ele quer dizer com isso ? Que a responsabilidade por esses documentos é do seu antecessor, e ainda não sabe de nada, ou já começa concordando com a farsa ?  Os jornais acham que ele ficou preocupado em não passar a imagem de um “falcão”, justamente por estar substituindo o super-pombo. Será ?
É muito dificil a AIEA piorar o seu desempenho. Basta dizer que El Baradei foi elogiado pelo presidente Ahmadinejad. Só isso já seria o suficiente para desmoraliza-lo.  Ahmadinejad é mesmo um espanto… Sempre tão confiante em sua causa, com o Islã dominando o Ocidente , que fala tudo que não deve, sem se importar com as consequências. Entrega todo mundo. (Aliás, ele está certo, não acontece nada com ninguém)
Vamos ver se esse confuso, incompetente, orgão da ONU deixa de fazer “diplomacia” e passa a cumprir o seu papel técnico de inspecionar, de investigar. E para variar o Itamaraty sofreu outra derrota. Os “gênios da raça” petistas apoiavam um sul-africano, um anti-americano de carteirinha.
O presidente Obama tem sorte com a substituição da pertinaz figura conivente com o terrorismo , enquanto que Bush comeu o pão que o diabo amassou. E não podemos nos esquecer do vaidoso Hans Blix.  Esse era do time do Baradei, e deu entrevista dizendo que Bush e Blair, mudaram seu relatório sobre as armas de destruição em massa no Iraque, colocando pontos de exclamação onde ele havia colocado pontos de interrogação! Inacreditavel. Agora é esperar para ver se Yukia Amano é honesto. Pode ser que nas primeiras declarações tenha sido ambíguo, mas pelo menos tem a vantagem de não haver nascido na apavorada Eurábia, feito Blix, que é suéco e, além do mais, Yukia sendo japonês deve estar mais longe da convivência com o radicalismo muçulmano. Outra coisa: ele precisa de intérprete para entender árabes e persas.

julho 4, 2009

A elite dos cientistas e a crença em Deus

Arquivado em: A elite dos cientistas e a crença em Deus, Especiais — Claudio Mafra @ 2:46 pm
2004-03-21

Em vários dos seus livros para consumo popular, Carl Sagan ( 1934 – 1996) se mostra surpreso com a necessidade da busca de Deus pelo homem contemporâneo. Ele achava a ciência tão maravilhosa que não via necessidade de mais nada. Os fenômenos da criação evolucionista estão à nossa disposição, belezas eternas para serem admiradas sem a necessidade de fé no sobrenatural. Ele não fazia a mínima idéia de como vivemos nós, pobres mortais. Sendo um expoente da ciência, um astrônomo mundialmente conhecido, podia viver em um patamar de deslumbramento que poucos alcançam. Estranho que um homem tão inteligente não tenha percebido que era um privilegiado, alguém especial,  absorto dia e noite com os mundos distantes, e que o complemento fama e fortuna o empurraram  para mais distante ainda de uma vida espiritual. Nós não vivemos  assim. Vivemos cada dia de uma maneira mais ou menos sofrida. Não nos alçamos em vôos extraordinários por outras galáxias.

Richard Dawkins ( que esteve em Parati, na Flip)  é outro cientista famoso, mas sem as qualidades de suavidade e humildade de Sagan. É um militante pela causa do ateísmo. No seu livro “Deus, um delírio”, ele se mostra intolerante e  rude.   Teve a insensatez de propor a mudança do nome de “ateu” para “ILUMINADO”, o que pressupõe chamar de “APAGADO” quem acredita em Deus. Os autores do livro  “O delírio de Dawkins” (Alister McGrath e Joanna McGrath) nos dizem ainda mais sobre o seu comportamento agressivo: ” Educar as crianças dentro de uma tradição religiosa é uma forma de abuso infantil“. O radicalismo inconsequente não é um privilégio dos tolos, afinal.  Religião pode trazer um comportamento mais sociavel, e a esperança em outra vida ajuda na procura da felicidade. Não cabe aqui, nesta pequena nota, tratar da questão, mas a China é um dos poucos lugares do mundo onde o povo não acredita em Deus. Os valores são todos materiais, e o chinês é  flagrantemente infeliz. Uma elite, uma minoria pode ser atéia, mas 1 bilhão de pessoas é um problema e tanto.

Alister e Joanna McGrath nos dão uma amostra do mundo científico em relação à Deus: ” Em 1916, cientistas diligentes foram inquiridos sobre se acreditavam em Deus, especificamente num Deus que se comunica de modo zeloso com a humanidade e a quem se possa orar ” na expectativa de receber uma resposta “. Os deístas não acreditam num Deus segundo essa definição. Os resultados ficaram famosos : grosso modo, 40% acreditavam nesse tipo de Deus, 40% não e 20% não tinham certeza”. Valendo-se dessa mesma pergunta a pesquisa foi repetida em 1997 e resultou quase exatamente no mesmo padrão, com um leve aumento dos que não acreditavam ( chegando a 45%). O número dos que acreditavam em Deus permaneceu estável, em torno de 40%”

Esses dados foram uma grande surpresa para mim. Pensei que os cientistas ateus fossem maioria esmagadora. O Diretor do Projeto Genoma, Francis Collins, é cristão. Outro choque. Ele é considerado o maior biólogo vivo, e trabalha com o estudo do DNA, que é o código de hereditariedade da vida. Collins foi o responsavel pelo mapeamento do corpo humano. Muitos outros exemplos de cientistas que acreditam em Deus estão no livro dos McGrath.

Aqueles que estiverem interessados em ver como ciência do mais alto nivel não exclui caminhar junto com a crença em um Deus misericordioso, podem consultar:  “O delírio de Dawkins”, Alister McGrath & Joanna McGrath, editora Mundo Cristão, 2007, “A Linguagem de Deus”, Francis Collins, editora Gente, 2007, “Cristianismo puro e simples”, C.S.Lewis, editora Martins Fontes, 2005

julho 3, 2009

Honduras: A jogada genial

Arquivado em: Internacional — Claudio Mafra @ 2:21 pm
Chavez_Obama

Os obamistas estão contando como uma grande vantagem, uma jogada pefeita,  Obama "haver neutralizado o show que Hugo Chavez daria se os Estados Unidos apoiassem a destituição de Manuel Zelaya no governo de Honduras" .

O que  ? Mas isso é o cúmulo da miopia.  Impedir que o Bolívar de araque faça uma meia dúzia de declarações  (que ninguém leva a sério)  é mais importante do que preservar o povo hondurenho de uma ditadura ? É uma completa inversão de prioridades.  Está bem de acordo com o raciocíno "sofisticado" dos americans liberals ficar contra os militares, que tiveram o apoio da suprema corte, e a favor de um sujeito que claramente quer se perpetuar no poder. E o mais curioso é o seguinte :  Por que os Estados Unidos se pronunciaram sobre essa questão ? Por que não ficaram quietos ? Isso sim, teria sido inteligente.  A posição de Obama, irresponsavel, demagógica, amparada nas "changes", tem  a manchete dos jornais : "Reação a golpe indica nova visão dos EUA". Engano do reporter obamista. Não é uma "nova visão". Já foi feito, principalmente quando Jimmy Carter, o pateta, usou e abusou do direito de atormentar os aliados americanos.

As consequências da atitude de Obama foram imediatas. Toda a esquerda mundial ficou assanhada.  A Europa ( Eurábia) sempre querendo dar lições de democracia, embora seja o continente responsavel pelas maiores carnificinas da história da humanidade, provocadora de duas guerras mundiais,  tomou  atitudes muito mais radicais do que os Estados Unidos. Claro, os europeus se consideram mais preparados do que os norte-americanos. Eles são a Grécia, e os Estados Unidos, Roma. Então, resolveram retirar seus embaixadores que é a medida mais próxima do rompimento com um país, decidiram colocar um ponto final nos acordos comerciais, e tudo mais que possa estrangular o governo hondurenho. Pobre Honduras. Enquanto isso, todos se acovardam face à Coreia do Norte, face ao Iran, e tremem de medo de que os cartunistas possam fazer alguma brincadeira com  Maomé.

Hillary Clinton,  menos comprometida com a demagogia obamista, foi mais cautelosa.  O Departamento de Estado declarou que  "insiste em que Zelaya terá de fazer concessões e abordar a questão da consulta popular que ele queria convocar para tentar se eleger de novo"

E Obama usa os mariners no Afeganistão  na maior operação aero-transportada desde a guerra no Vietnã.  É de se pensar como essa medida teria sido criticada  se tivesse sido tomada por Bush.  Afinal o que o diferencia do ex-presidente na maneira de conduzir as guerras ? A retirada no Iraque , aplaudida como se fosse uma soberba atitude de Obama, está sendo feita  exatamente como Bush  afirmava: "de acordo com a decisão dos generais, e não como os políticos em Washington querem ".  De fato, as pessoas enxergam o que desejam enxergar.

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